Os Escolhidos do Oráculo despertaram depois de um descanso longo, ainda exaustos do dia em que libertaram os minotauros escravizados da cidade. Enquanto o navio seguia em reparos no estaleiro, o grupo se abrigou perto do templo, preparou suas magias e dormiu cedo. Por volta das quatro da madrugada, um burburinho na rua os acordou. Da janela, viram uma multidão reunida numa viela em volta de uma estátua incrivelmente realista de uma mulher, com o rosto retorcido num terror absoluto, como se tivesse visto o maior medo da vida diante dos olhos.
O grupo desceu até a viela. Os populares logo cochicharam que eram os escolhidos e contaram que a estátua surgira do nada. Absolus ritualizou uma detecção de magia, emprestando os olhos do fantasma que o acompanha após dez minutos de discussão interna, e percebeu apenas sinais finos de transmutação ao redor da peça. Os centuriões chegaram para dispersar a multidão, tratando aquilo como obra de algum artista maluco. Absolus os encarou com o olhar espectral e os convenceu de que o assunto era sério. Os guardas admitiram que dezenas de estátuas assim já haviam aparecido, que a cidade as triturava, e que aquilo era coisa da Dama das Moedas. Ninguém que se mete com ela escapa, exceto o Lorde Taran, que clama para que ela seja levada à justiça. Foi para lá que o grupo seguiu.
A mansão de Taran Njordagon, a mais opulenta da cidade, ergue-se no alto da segunda colina, cercada de jardins, espelhos d'água e um labirinto de cerca viva com uma fonte retratando o próprio lorde nu. Depois de se anunciarem como conhecidos de Sula, foram recebidos pelo mordomo Maximiliano William II, que os fez limpar os pés em carpetes de diferentes texturas e os conduziu pela porta principal. Numa sala de chá, reconheceram nas pinturas Adonis Njordagon, um dos Lordes Dragões originais, e a árvore genealógica da família descendo até Sula. O cozinheiro Gaston serviu chá e biscoitos até que o lorde chegou, ofegante, de roupão e coberto de colares e anéis. Olga recusou beijar o anel e apenas o admirou com desdém. Percebendo a vigilância de arqueiros nas janelas e guardas nas portas, o grupo seguiu para o escritório, onde uma estante de livros falsos denunciava um cofre escondido que Taran olhava com nervosismo.
Taran explicou que a Dama das Moedas é uma criatura maldita, autoproclamada heroína do povo, que rouba dos ricos, odeia o mercado do norte em que ele é sócio de Maximus e petrifica quem cruza seu caminho. Suspeitava que ela estivesse por trás do Culto da Serpente, uma guilda de ladrões e contrabandistas, e mandou o grupo começar pela Travessia Estígia. Escondendo o assunto de Rhea, insinuou que Maximus a vendera, e Absolus fingiu familiaridade para extrair informações. Taran queria a Dama morta, e depois de barganha firme, o grupo arrancou dez mil moedas de ouro pela cabeça dela.
O grupo desceu à Travessia Estígia, o bairro baixo, fedorento e tomado de bêbados, violência e miséria, habitado por tieflings e meio-orcs aceitos ali como em nenhum outro lugar. O Mestre mostrou a divisão da cidade em quatro áreas: a divina, a nobre, a do porto e a dos miseráveis. Desconfiados de que os pobres amam a Dama e odeiam os ricos, os heróis discutiram não chegar caçando-a abertamente. Consideraram procurar símbolos de serpente, contatar o garoto que ajudaram antes e o contrabandista Bestouro, e mandaram Presthes, o falcão mecânico de Olga, sobrevoar a área sem encontrar rastro dele. Decidiram então visitar o Poleiro da Sereia, onde a dona Ambrosia, uma sereia, e uma meia-orca caolha que fazia a segurança os receberam. Entre os acompanhantes de linhagem divina que Ambrosia apresentou estava Kalistor, filho de Pythor, o grandalhão choroso que um dia se encantou por Rhea. Lá ouviram que o Culto da Serpente vive de roubo, extorsão, sequestro e contrabando, que Rúlio, dono do Rabo do Sátiro, cobra proteção enquanto abriga o culto, e que a Dama só ataca quem cruza o caminho dela. Ambrosia mostrou-se neutra, mas expulsou o grupo sem pistas concretas.
No Rabo do Sátiro, em plena manhã, Rúlio os recebeu com insultos e uma caneca aguada e cuspida. A taverna estava lotada de marinheiros e estivadores. Um homem gritava que mandaria a Dama das Moedas buscar sua porção, e dois encapuzados suspeitos observavam o salão. Aletheion foi escalado como isca, com Absolus fortalecendo o coração dele, e sentou-se à mesa do capitão Varkon, cercado sem saber por quinze marinheiros armados. Jogando dados e dividindo fritas e vinho, divertiu tanto o capitão que este soltou tudo: conhece a rota até a ilha onde vive Hexia, o dragão verde que até Pythor teme, no Golfo Sedrulho; trabalha para a Dama, deixando navios de artistas petrificados na ilha; e recebeu dela a entrada secreta do culto.
Nesse momento os dois encapuzados gêmeos, de rostos idênticos, deixaram moedas e fugiram. Olga, Rhea, o falcão Presthes e Augur, o diabrete de Aletheion, correram atrás deles, que se separaram numa bifurcação. Olga seguiu um deles, e Rhea voltou à taverna sem ter encontrado o outro. Enquanto Aletheion continuava anotando as lições do capitão sobre trair, escolher o mais forte da tripulação e não morrer, Varkon revelou a entrada do esconderijo secreto, que Olga confirmou ver ao seguir o gêmeo: uma passagem escondida no pé do Colosso de Mytros.
A noite, cena a cena
A estátua do terror na viela de madrugada
Por volta das quatro da madrugada, os heróis acordam com o burburinho e, da janela do abrigo perto do templo, veem uma multidão reunida numa viela em volta de uma estátua incrivelmente realista de uma mulher, com o rosto retorcido em terror absoluto.
Absolus empresta os olhos do fantasma
Absolus ritualiza Detect Magic, discutindo com o fantasma interno até que ele empreste seus olhos espectrais. Os olhos brilham em azul pálido e revelam finos sinais de transmutação ao redor da estátua.
O olhar espectral que dobra os centuriões
Um centurião tenta afastar o grupo e minimiza a estátua como obra de artista maluco. Absolus aponta para os olhos ainda brilhando com a energia do fantasma e o encara com um olhar espectral até convencê-lo de que o assunto é sério.
A Dama das Moedas: quem se mete, acaba estátua
O guarda, relutante, revela que a estátua é obra da Dama das Moedas, e que todo mundo que se mete com ela acaba morto ou assim, petrificado. Só o Lorde Taran escapou, e clama que ela seja levada à justiça.
A opulenta mansão Njordagon na segunda colina
Os heróis chegam ao portão da maior residência da cidade, no alto da segunda colina, com vista para o mar e para o Colosso. Jardins, estátuas, espelhos d'água e um labirinto de cerca viva cercam o casarão, vigiado por guardas de armaduras luxuosas.
Pés limpos nos três carpetes do mordomo
O mordomo Maximiliano William II, de touca listrada, vela na mão e bigode curvado, exige que os aventureiros limpem a terra nos carpetes de texturas diferentes. Rhea pisoteia animada o carpete fino enquanto o mordomo observa o minotauro e o centauro, avisando que terão de entrar pela porta principal.
O Anel Estendido e o Desdém de Olga
Na sala de chá da mansão Njordagon, sob o retrato imponente de Adonis, o Lorde Taran irrompe ofegante, de roupão e coberto de colares e anéis, estendendo a mão para ser beijada. Olga o encara com desdém gélido e recusa o gesto, enquanto Absolus, Aletheion e Rhea observam e arqueiros vigiam tensos pelas janelas.
A Dama das Moedas e o Cofre de Taran
No escritório abafado de Taran, o lorde fala em voz baixa sobre a Dama das Moedas, a autoproclamada heroína do povo que transforma em pedra quem cruza seu caminho. Seus olhos fogem sem parar para a estante de livros falsos, onde um cofre oculto parece guardar mais segredos do que ele ousa admitir, enquanto os heróis escutam em tensão.
Mapa de Mytros: as quatro áreas da cidade
O Mestre apresenta a divisão de Mytros em quatro áreas: a divina com templos e coliseu, a nobre com mansões e mercado, a do porto com o Colosso e o estaleiro, e os miseráveis da Travessia Estígia. A visão panorâmica da metrópole, do Monte Volcan à ponte de entrada, ilustra o cenário da caçada.
Presthes sobrevoa a Travessia Estígia atrás de Bestouro
Olga lança Presthes, o falcão mecânico de bronze, para sobrevoar os becos miseráveis da Travessia Estígia em busca do contrabandista Bestouro, enquanto o grupo segue a pé pelo bairro baixo. O falcão não encontra rastro dele.
O Poleiro da Sereia na Travessia Estígia
Ao entrarem no Poleiro da Sereia, casa de prazeres da Travessia Estígia, o grupo é recebido pela dona Ambrosia, uma sereia de voz aveludada, e pela meia-orca caolha que faz a segurança, com a mão apoiada numa clava.
Ambrosia e a Corte das Ninfas
Momentos no Poleiro da Sereia, em três quadros: Ambrosia apresenta seus acompanhantes de linhagem divina, filhos de ninfas; Olga divide um drink doce com a sereia no balcão; e, num canto, o grandalhão Kalistor, filho de Pythor, chora sem pudor.
Rabo do Sátiro lotado às sete da manhã
Os heróis retornam à taverna de Rúlio, tomada por fumaça de narguila, marinheiros e meio-orcs bêbados em plena manhã. Rúlio os recebe com insultos e empurra uma caneca aguada e cuspida na direção deles.
Dois suspeitos observam o salão
Entre os fregueses gritando pela Dama das Moedas, os heróis notam dois homens de aparência suspeita, olhando de um lado a outro. O grupo discute usar Aletheion como isca e seguir a trilha até a Dama.
Dados e Espadas no Rabo do Sátiro
No Rabo do Sátiro, Aletheion, de capuz baixado e careca, senta-se para jogar dados com o capitão Varkon, um meio-orc, que parece estar sozinho numa mesa para quatro. Nas duas mesas compridas ao redor, uma dúzia de marinheiros param, olham de canto de olho e põem a mão na espada; duas batidinhas do capitão na mesa e todos soltam as armas. Aletheion está cercado por uns quinze potenciais inimigos, todos sentados.
O Riso do Capitão e a Rota para Hexia
Entre risadas roucas e o chacoalhar de dados sobre a mesa, o capitão Varkon revela que conhece a rota até a ilha onde vive Hexia, o dragão verde que até Pythor teme. O grupo silencia, tenso, ao ouvir que ele serve à Dama das Moedas. Presthes, o falcão mecânico, estala as penas de bronze no ombro de Olga.
Fuga pelas Vielas: Os Gêmeos do Rabo do Sátiro
Dois encapuzados de rostos idênticos deixam moedas sobre a mesa e escapam pela porta do Rabo do Sátiro, sumindo no labirinto de vielas. Olga, com Presthes no ombro, Rhea e o diabrete Augur disparam em perseguição entre becos estreitos, sombras e tochas bruxuleantes.
A Porta Oculta aos Pés do Colosso de Mytros
Olga, com o falcão mecânico Presthes no ombro, observa um dos gêmeos sumir por uma passagem secreta aberta no pé do colossal Colosso de Mytros. A entrada do esconderijo do Culto da Serpente se revela, sombria e silenciosa; Olga está sozinha, os outros ficaram para trás.
Ficha da sessão
Locais visitados
- Mansão Njordagon — Residência opulenta de Taran Njordagon, onde o grupo recebeu a missão de caçar a Dama das Moedas.
- Travessia Estígia — Bairro baixo e miserável, habitado por tieflings e meio-orcs, onde o grupo iniciou a busca pela Dama.
- Poleiro da Sereia — Casa de prazeres comandada por Ambrosia, onde o grupo obteve informações sobre o Culto da Serpente.
- Rabo do Sátiro — Taverna de Rúlio onde o capitão Varkon revelou rota e entrada do culto.
- Colosso de Mytros — Em seu pé fica a passagem secreta usada pelos gêmeos suspeitos.
Momentos-chave
- Revelação Nova estátua aterrorizada apareceu perto do templo, ligada à Dama das Moedas.
- Evento Taran Njordagon contratou o grupo para matar a Dama das Moedas por dez mil moedas de ouro.
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Revelação O capitão Varkon revelou ligações com a Dama, a rota até a ilha do dragão Hexia e a entrada secreta do culto.
Aletheion
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Perigo ambiental Dois encapuzados gêmeos fugiram e levaram Olga até a passagem secreta no Colosso de Mytros.
Olga, Rhea