Quando os Escolhidos do Oráculo foram convocados perante o rei Acastus e seus conselheiros — o sacerdote tiferino Condrus, o comandante Gaius e a concubina real — estavam sujos, marcados e exaustos depois da explosão que destruíra o templo de Lutheria. A marca da maldição do convidado traído ardia visivelmente em seus rostos enquanto o Condrus apontava os dedos acusadores: o templo estava em ruínas, os sacerdotes mortos, e os Escolhidos estavam no centro de tudo.
Coube a Aletheion dar voz ao grupo. Com cuidado, o elfo narrou como a rainha Vallus os enviara para investigar algo estranho no templo — sem maiores detalhes —, como foram recebidos pelo Sumo Sacerdote Trellus e sua irmã maga, como desceram ao porão em aparente boa fé para conhecer os vinhos, e como se depararam com crianças penduradas em ganchos naquele lugar sombrio. A comoção foi inevitável. Uma discussão acalorada irrompeu, e foi a irmã do sacerdote quem, num movimento precipitado, disparou uma bola de fogo que, combinada aos barris de álcool armazenados, provocou a explosão que consumiu tudo. Os Escolhidos mal escaparam com vida, salvos pelos próprios homens do rei.
O Condrus assumiu o papel de interlocutor da acusação com um sorriso arrogante. Em três movimentos distintos, tentou desmontar a defesa do grupo. Primeiro, argumentou que o desconhecimento do culto não era completo — ele próprio havia mencionado, naquele mesmo salão dias antes, o envio de crianças ao templo para iniciação — e que a indignação dos Escolhidos configurava mera intolerância religiosa. Em seguida, apontou que a marca da maldição do convidado traído recaía sobre os Escolhidos, sugerindo que foram eles os primeiros agressores. Por fim, voltou-se contra a rainha: se ela mandara o grupo investigar um templo do panteão por baixo dos panos, isso não seria interferência divina indevida no juramento de paz?
Diante de cada acusação, os Escolhidos responderam com determinação. Aletheion convenceu o tribunal de que a explosão foi causada pela maga inimiga, não pelo grupo — a bola de fogo partiu dela, não de mãos dos Escolhidos. A maga Myrina, representada pela voz de Rhea, intimidou o Condrus de volta, devolvendo a pressão com a indignação de quem vira crianças em sofrimento. Para a questão da marca, Aletheion explicou que a ofensa partiu de palavras e gestos, não de violência física, e que a zona de silêncio do porão foi derrubada pelos próprios sacerdotes antes que qualquer golpe fosse desferido. Quanto à rainha, o grupo deixou claro que suas ações eram dela, não dos Escolhidos, que apenas cumpriam uma missão recebida.
O ponto mais espinhoso surgiu quando o Condrus questionou como podia ter havido uma 'discussão acalorada' num local com zona de silêncio ativa. Os Escolhidos sustentaram que o silêncio fora derrubado antes da briga — mas a contradição fez o tribunal hesitar. Nesse ponto, porém, o grupo não conseguiu dissipar a dúvida por completo, e sua versão sofreu uma rachadura visível. Ainda assim, Aletheion intimidou o Condrus com vigor suficiente para inclinar o julgamento de volta a seu favor.
Ao fim, o rei Acastus se levantou. Declarou os Escolhidos do Oráculo inocentes, livres para circular por Mytros como qualquer povo livre. Mas o sorriso que esboçara quando o nome da rainha fora mencionado revelava seus verdadeiros propósitos: mandou buscar a rainha Vallus como uma criminosa. Perante a corte, exigiu que ela oferecesse metade de sua centelha divina como sacrifício para apaziguar a fúria de Lutheria — uma punição que a deusa-rainha, já enfraquecida, aceitou em silêncio com olhos trêmulos. Diante de todos, ela arrancou do próprio peito um brilho dourado, separou-o ao meio e o ofereceu ao chão. Seus cabelos branquearam, rugas surgiram em seu rosto, seu corpo murchou — ela perdera metade do tempo de vida que ainda possuía, tão frágil agora quanto Pythor e Volkan, que já haviam entregado boa parte das suas. Com um olhar de tristeza lançado aos Escolhidos, ela se soltou dos soldados e voltou para seus aposentos.
Libertados do tribunal, os Escolhidos buscaram abrigo e descanso no Rabo do Sátiro, a maior taverna de Mytros, atendidos pelo rabugento taverneiro de um só braço Julio Iglesias, que os recebeu com insultos e vinho barato diluído em água com açúcar. A taverna fervilhava de marinheiros orques vindos do Golfo Cerúleo — possíveis contatos para o que viria a seguir. Após a refeição, o grupo foi descansar numa estalagem próxima.
Foi no sono que Lutheria os alcançou. Uma voz de mulher suave e aflita tocou suas mentes, falando de ignorância como alívio e de conhecimento como fardo. Cada Escolhido sonhou sozinho: uma explosão, um vale de todas as cores, um homem de costas — e quando o homem virava o rosto, seus olhos perfurados e orelhas rasgadas vertiam sangue em quatro rios. O horror do sonho acordou cada um em momentos distintos, mas todos carregaram as consequências. Myrina, ao despertar, fez o que a visão mostrava: arrancou os próprios olhos, cegando-se, ferida por uma loucura que levaria quatro dias para sarar. Rhea foi tomada por alucinações persistentes — o campo de flores e o homem mutilado invadiriam seus dias por outros três. Absolus acordou carregando algo desconhecido em sua mente, uma insanidade cujos efeitos ainda aguardam revelação. Aletheion, que permaneceu mais tempo preso no pesadelo, escapou das consequências mais severas. Apenas Olga saiu ilesa.
Na manhã seguinte, os Escolhidos se depararam com uma nova revelação: Absolus, que perdera seus poderes mágicos durante o sono perturbado, acordara diferente — corpo mais magrelo, músculos mais tensos, alma esvaziada de toda magia. Em seu lugar, apenas rancor, amargura e ódio puros, transformando-o num guerreiro movido pela brutalidade. O rei Acastus, cumprindo o acordo, entregara ao grupo um mapa com o último paradeiro conhecido do lendário navio Ultros — avistado perto da Catarata dos Mortos, nas Terras Interiores, o mesmo território por onde os Escolhidos já haviam passado em sua jornada. Capitaneado pelo Lorde Dragão Estor Arkelander, o Ultros era uma embarcação amaldiçoada que sobrevivera à própria fúria de Sydon. Conquistar o navio e a Anticítera a bordo era o único caminho para o Oceano Esquecido dos Titãs — e para a próxima fase de sua odisseia.
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A noite, cena a cena
O Rei Confronta os Escolhidos
O rei Acastus aponta para os heróis cobertos de poeira e cinzas, acusando-os pela destruição do Templo de Lutheria. As marcas das Erínias brilham em seus rostos enquanto o monarca exige respostas sobre o desastre que matou o clero e destruiu a estrutura sagrada.
Aletheion Enfrenta o Julgamento
Aletheion, o bruxo mascarado, dá um passo à frente para defender o grupo diante do rei. Ele baixa seu capuz, revelando sua cabeça completamente careca, conjura sua Armadura de Agathys de gelo e fala em sua própria defesa, convocando seu carisma em um momento crítico que determinará o destino dos Escolhidos.
A Defesa da Mãe do Grupo
Aletheion monta sua defesa no tribunal, emotivamente apelando para a compaixão do Rei e seus conselheiros. Ele menciona que o grupo possui uma mãe entre seus membros, abalada pela situação, e enfatiza que a destruição do templo foi acidental, causada pela bola de fogo da irmã do sumo-sacerdote, não por intenção do grupo. Sua retórica toca o coração da corte.
O Julgamento Real do Rei Acastus
No Salão do Julgamento Real de Mytros, Aletheion e seus companheiros enfrentam acusações de intolerância religiosa pela destruição do Templo de Lutheria. O grupo prepara-se para defender sua honra através de argumentos persuasivos, enquanto o Rei Acastus e seus conselheiros os interrogam sobre os eventos que levaram à ruína do templo.
A Rainha Vallus Sacrifica Metade de sua Centelha
Absolvidos pelo Rei Acastus, mas para apaziguar os deuses o rei ordena que a própria Rainha Vallus seja trazida à força e sacrifique metade de sua centelha divina. Diante do olhar atônito dos Escolhidos, ela envelhece visivelmente — os cabelos encanecem, o rosto se enruga — absolvendo o grupo às custas do próprio sofrimento.
Chegada à Taverna Rabo do Sátiro
Livres mas sem rumo, os Escolhidos vagam pela imensa cidade de Mytros e buscam abrigo na taverna Rabo do Sátiro: um salão lotado, tomado por fumaça de narguile, marinheiros orcs recém-chegados de terras distantes e vinho barato e aguado, administrado pelo rabugento Julio Iglesias, veterano de guerra mutilado.
Absolus Bebe do Gargalo Diante dos Guardas
Ainda processando a perda de rumo em sua vida, Absolus faz uma pequena demonstração de força dentro da taverna: entorna o próprio vinho no chão e bebe diretamente do gargalo da garrafa, encarando guardas hostis, evitando por pouco um confronto físico.
O Pesadelo de Lutheria
A noite não traz descanso: Lutheria, vingativa pela destruição de seu templo, invade os sonhos dos Escolhidos com a visão de um homem cego e mutilado num campo de flores, sussurrando que a ignorância traz paz e que o conhecimento é o maior fardo dos mortais.
Myrina Desperta Cega
Tomada pela loucura induzida por Lutheria durante o pesadelo, Myrina desperta sem enxergar. Desesperada, leva as mãos ao rosto, tateando o próprio olhar perdido — ficará cega por dias, ainda que a visão deva se regenerar com o tempo.
A Transformação de Absolus — o Druida Vira Guerreiro
Absolus sofre a consequência mais drástica da maldição de Lutheria: perde completamente seus poderes druídicos. Seu cabelo escurece, seu corpo se fortalece fisicamente e sua ligação com a magia se esvai — a partir de agora, um guerreiro movido apenas por rancor e amargura.
A Partida de Mytros ao Amanhecer
Ao amanhecer, o grupo decide deixar Mytros para trás — com suas dezenas de missões não exploradas, suas organizações secretas e o misterioso Colosso — e seguir o mapa do Rei Acastus rumo ao último paradeiro do lendário navio Ultros, na assombrada Catarata dos Mortos das Terras Interiores.
Ficha da sessão
Locais visitados
- Salão do Trono — Palácio Real de Mytros — Local do julgamento real presidido pelo rei Acastus. Os Escolhidos defenderam-se das acusações de Condrus e Gaius; a rainha Vallus foi punida publicamente, sacrificando metade de sua centelha divina restante.
- Rabo do Sátiro — Taverna de Mytros — A maior taverna da cidade, lotada de marinheiros orques vindos do Golfo Cerúleo. Administrada pelo rabugento Julio Iglesias, serviu de refúgio temporário para os Escolhidos após o julgamento.
- Estalagem de Mytros — Local onde os Escolhidos tentaram descansar e foram visitados pelo pesadelo enviado por Lutheria como vingança pela destruição do templo. Myrina cegou-se aqui durante a noite.
- Catarata dos Mortos — Terras Interiores — Destino revelado pelo mapa do rei Acastus: último paradeiro conhecido do navio lendário Ultros, capitaneado pelo Lorde Dragão Estor Arkelander.
Momentos-chave
- Evento Os Escolhidos do Oráculo são julgados pelo rei Acastus pelo envolvimento na destruição do templo de Lutheria e saem absolvidos após um tenso desafio de perícias.
- Revelação Durante o julgamento vem à tona que o envio de crianças ao templo de Lutheria não foi obra dos sacerdotes sozinhos: fazia parte de um acordo silencioso da própria corte de Mytros para aplacar a fúria dos Titãs — algo que Condrus admitiu já ter mencionado no salão dias antes.
- Revelação O rei Acastus usa o depoimento dos Escolhidos como pretexto para punir publicamente a rainha Vallus, exigindo que ela sacrifique metade de sua centelha divina restante — acelerando seu enfraquecimento divino.
- Perigo ambiental Lutheria envia um pesadelo a todos os Escolhidos como vingança: Myrina, em estado de loucura ao despertar, cega a si mesma arrancando os próprios olhos; Rhea passa a sofrer alucinações; Absolus carrega uma insanidade de efeito ainda desconhecido.
- Momento de personagem Absolus desperta transformado: perde todos os seus poderes mágicos e se torna um guerreiro movido por rancor, amargura e ódio puros.
- Revelação O rei Acastus entrega aos Escolhidos o mapa do Ultros — o navio lendário do Lorde Dragão Estor Arkelander, visto pela última vez na Catarata dos Mortos — revelando o próximo grande objetivo da odisseia.