Os Escolhidos do Oráculo se encontraram pela primeira vez na Vindima Acre, uma taverna rústica numa encruzilhada a leste da cidade de Estor, convocados por uma mulher que se apresentou apenas como Kyrah, a poetisa. Vestida com roupas de viagem gastas e carregando uma bolsa cheia de pergaminhos manchados de tinta, ela explicou que agia como agente do oráculo: Thylea, disse ela, caminhava para a destruição, e o grupo precisava provar ser os verdadeiros escolhidos da profecia. A prova exigida era cruel e concreta — caçar e sacrificar aos deuses um javali monstruoso, corrompido pelos titãs, que já havia matado inúmeros camponeses da região e reduzido as fazendas ao redor a ruínas abandonadas. Kyrah revelou ainda que já havia encontrado dois caçadores capazes de indicar a localização exata da fera, mas que eles só chegariam à taverna na manhã seguinte, deixando o grupo livre para descansar e se conhecer durante a noite.
Enquanto bebiam — Medesteles e Absolus optaram por vinho, Presthes e Aletheion por água, e Rhea por uma mistura violenta de destilados —, os aventureiros trocaram impressões sobre os rumores que já corriam a respeito uns dos outros. Absolus, o centauro amargurado, foi celebrado por Kyrah como um grande orador capaz de mover multidões; Presthes ouviu que sua chegada sempre vinha acompanhada de confusão; e Medesteles, apesar do jeito pessimista e resignado diante da missão, foi incentivado por Rhea, que insistia que o grupo tinha potencial de sobra para enfrentar qualquer ameaça, javali incluso. No meio da conversa, Kyrah desapareceu de vista por um instante e reapareceu vinda do fundo da taverna sorridente, sem que ninguém a tivesse visto se levantar — um pequeno mistério que ficou pairando sobre a mesa, atribuído por alguns à bebida.
Foi então que Presthes, abrindo seus sentidos ao divino, captou vindo dela um perfume inconfundivelmente celestial, e recordou que o nome Kyrah também pertencia à quinta deusa do panteão de Thylea. Tomado de reverência, ajoelhou-se diante dela ali mesmo na taverna — gesto que ela discretamente desfez, erguendo-o pelo colarinho e pisando em seu pé para que se recompusesse, negando com firmeza qualquer divindade e insistindo que não era ninguém. O momento passou despercebido pelos demais, que atribuíram a cena a mais uma peculiaridade da noite, e Kyrah logo se levantou para dançar e recitar seus versos desajeitados ao som de um bardo local, liberando o grupo para aproveitar a noite como quisesse.
Com a taverna lotada de camponeses refugiados — famílias que haviam mandado seus filhos para a segurança de Estor enquanto os adultos se abrigavam ali, fugindo da devastação que o javali espalhava pelas fazendas —, o grupo notou também um bando maltrapilho de caçadores marcados por cicatrizes e olhares vazios. Eram os últimos sobreviventes dos Foliões Destemidos, uma guilda de aventureiros que partira à caça da fera com trinta integrantes e voltara com apenas quatro. Ao serem interpelados, os caçadores contaram como haviam atraído o javali com uma pilha de nove quilos de frutas podres perto da orla de uma floresta a sudeste, e como o líder do grupo, Asphodelis, insistira em avançar em pequenos pelotões de cinco — uma decisão que os aventureiros consideraram fatal, já que juntos talvez tivessem números suficientes para abater a criatura. Quando Medesteles sugeriu que envenenar a fruta teria sido mais eficaz, os sobreviventes reagiram com uma mistura de espanto e desespero, lamentando não terem pensado nisso antes; um deles ainda revelou, incomodado, que os corpos dos companheiros mortos haviam sido deixados perto da toca da fera, agora servindo de fonte inesgotável de alimento para o monstro — o que tornava inútil qualquer plano de atraí-lo pela fome. Derrotados e desiludidos, os Foliões Destemidos declararam abertamente que desistiam da caçada, desejando sorte ao novo grupo antes de se afastarem, cabisbaixos.
Foi então que Étala, a estalajadeira de rosto marcado por cicatrizes e porte robusto, se aproximou da mesa, tratando Rhea com um misto de cautela e admiração reverente. Ela reconheceu na minotaura a lendária guerreira da batalha das correntes, aquela cujo frenesi em combate fora tão avassalador a ponto de atacar até os próprios companheiros de armas — um relato que a própria Étala confessou acompanhar com fascínio, tendo sido aventureira em sua juventude. Pediu, encantada, que Rhea assinasse um guardanapo como lembrança, recebendo de volta um desenho de coração com chifrinhos, e, em sinal de respeito, ofereceu hospedagem e bebida gratuitas para todo o grupo naquela noite. Ainda assim, não deixou de perguntar, com delicadeza, se o autocontrole de Rhea sobre sua fúria estava mesmo sob controle, ponderando em voz alta que preferia manter distância segura de suas mãos ensanguentadas caso a resposta fosse não — ao que Rhea garantiu que os boatos exageravam a realidade.
Esgotadas as conversas com a estalajadeira e com os restos da guilda destruída, e sem mais informações úteis a colher naquela noite, o grupo aceitou o convite de Kyrah para descansar. Cada um se recolheu a seu canto, pensativo diante do que os aguardava ao amanhecer: partir para a floresta a sudeste, seguindo os dois caçadores prometidos, para enfim enfrentar a fera que os titãs haviam solto sobre Thylea como um golpe contra a fé nos cinco deuses.
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A noite, cena a cena
A Taverna Vindima Acre
Os Escolhidos do Oráculo se encontram pela primeira vez na Vindima Acre, uma pequena taverna rústica numa encruzilhada a leste de Estor, envolta em névoa de tabaco e ervas.
O Perfume Celestial de Kyrah
Usando seu Divine Sense, Presthes percebe vindo de Kyrah, a poetisa que os convocou, um perfume inconfundivelmente celestial - sinal de que ela pode ser a própria quinta deusa do panteão disfarçada entre os mortais.
Étala Reconhece a Guerreira das Correntes
A estalajadeira Étala reconhece Rhea como a lendária guerreira da 'batalha das correntes', cuja fúria já a fez atacar até os próprios aliados - e oferece hospedagem gratuita em sinal de admiração.
Ficha da sessão
Locais visitados
- Vindima Acre — Taverna rústica numa encruzilhada a leste de Estor, ponto de encontro do grupo, refúgio de camponeses fugindo da devastação do javali e local de descanso na noite anterior à caçada.
Momentos-chave
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Revelação Kyrah, a poetisa que convocou o grupo, é percebida por Presthes através de seu Divine Sense como possivelmente a própria deusa Kyrah disfarçada entre os mortais, revelação que ela nega e disfarça.
Presthes
- Evento O grupo é encarregado pelo oráculo de caçar e sacrificar um javali gigante corrompido pelos titãs como prova de que são os escolhidos da profecia.
- Revelação Os sobreviventes dos Foliões Destemidos revelam que sua guilda de trinta caçadores foi reduzida a quatro após tentarem abater o javali com táticas falhas, e que os corpos dos mortos agora alimentam a fera, tornando armadilhas de comida inúteis.
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Momento de personagem A estalajadeira Étala reconhece Rhea como a lendária guerreira da batalha das correntes, capaz de um frenesi que já atingiu até aliados, e oferece hospedagem gratuita ao grupo em sinal de admiração.
Rhea